ABAG/RP Embrapa Monitoramento por SatÚlite

SISTEMA DE GESTÃO TERRITORIAL DA ABAG/RP

Apoio:
FAPESP Ecoagri

Área de Estudo

Pedologia

Gustavo Souza Valladares

Introdução

soloA área de abrangência da ABAG-RP por sua extensão apresenta grande variabilidade de classes de solos. Sendo indentificadas segundo o “Mapa Pedológico do Estado de São Paulo” principalmente as seguintes classes de solos: Argissolos Vermelho-Amarelos, Cambissolos Háplicos, Gleissolos Háplicos, Gleissolos Melânicos, Latossolos Amarelos, Latossolos Vermelho-Amarelos, Latossolos Vermelhos, Neossolos Flúvicos, Neossolos Litólicos, Neossolos Quartzarênicos, Nitossolos Vermelhos, Organossolos e Planossolos Háplicos (Figura 1). As unidades de mapeamento são as mesmas do trabalho de Oliveira et al. (1999).

O relevo pode apresentar diferentes declividades, predominado as classes de relevo suave ondualdo (3-8% de declive) e plano (<3% de declive). Predominam na região solos distróficos, com exceção de inclusões por toda a área e da porção oeste, que apresenta solos predominantemente eutróficos. Tal característica indica que a maioria dos solos necessita de calagem para neutralizar a acidez e elevar os teores de Ca2++ e Mg2++, como também de fertilizantes. Porém, como o relevo local dominante favorece a mecanização, estas práticas são de execução relativamente simples, quando adotadas as tecnologias adequadas.

A classe de solos dominante é a dos Latossolos, em relevo pouco declivoso. Esses solos geralmente possuem propriedades morfológicas e físicas que facilitam o manejo agrícola, facilitando a aplicação de corretivos e fertilizantes que garantam elevadas produtividades. Apresentam baixa erodibilidade quando comparados a outras classes de solos, como é o caso dos Argissolos e Neossolos Quartzarênicos. Estes últimos requerem atenção mais cuidadosa quanto ao manejo, para evitar a degradação dos solos. Os Latossolos pelas condições físicas e de relevo, quando bem manejados podem refletir em elevada produtividade agrícola.

Ocorrem solos mais rasos em regiões mais declivosas como os Cambissolos e os Neossolos Litólicos. Tais solos apresentam limitações para trafegabilidade e alta erodibilidade, tendo baixa aptidão agrícola quando comparados aos Latossolos, Nitossolos e Argissolos de relevo pouco declivoso.

Nos fundos dos vales e nas várzeas podem ser encontrados principlamente Gleissolos, Organossolos, Cambissolos, Neossolos Flúvicos e Planossolos. Os Gleissolos e os Organossolos apresentam como principal limitação o excesso de água, necessitando de sistemas de drenagem para seu manejo agrícola.

Na área da ABAG-RP existem muitos perímetros com agricultura irrigada, localizados em um eixo sudeste-noroeste, com maior densidade na porção noroeste. Em uma análise simples pode ser verificado que os projetos foram bem locados quanto a aptidão agrícola dos solos e seus potenciais produtivos. A TABELA 1 apresenta que 95% da área irrigada localiza-se em solos profundos, bem drenados e com relevo plano ou suave ondulado das classes dos Latossolos ou Nitossolos.


Tabela 1: Área percentual dos perímetros irrigados segundo as principais classes de solos.

Classe de Solo Área irrigada (%)
Latossolos Vermelhos 80
Latossolos Amarelos 6
Latossolos Vermelho-Amarelos 4
Nitossolo Vermelho 5
Gleissolos 4
Argissolos Vermelho-Amarelos 1


Figura 1: Mapa pedológico da área da ABAG-RP.

 

A seguir são apresentadas as definições das principais classes de solos encontradas na região da ABAG-RP, seus atributos principais e as unidades de mapeamento segundo os trabalhos Oliveira (1999), Oliveira et al. (1999) e Embrapa (1999).

 

DESCRIÇÃO DOS SOLOS


Cambissolos


Definição

Solos constituídos por material mineral, que apresentam horizonte A ou hístico com espessura < 40cm, seguido de horizonte B incipiente e satizfazendo os seguintes requisitos:

- B incipiente não coincidente com horizonte glei dentro de 50cm da superfície do solo;

- B incipiente não coincidente com horizonte plíntico;

- B incipiente não coincidente com horizonte vértico dentro de 100cm da superfície do solo; e não apresentar a conjugação de horizonte A chernozêmico e horizonte B incipiente com alta saturação por bases e argila de atividade alta.

Subordens registradas


Cambissolos Háplicos

Atributos principais

Os Cambissolos da área de estudo estão situados em relevo ondulado. Apresentam restrições ao uso agrícola, pois possuem elevada erodibilidade, forte risco de degradação, forte limitação à trafegabilidade, à qual é aumentada com a pedregosidade e afloramentos de rocha. São solos pobres em nutrientes e ácidos, apresentando elevados teores de alumínio trocável, condição difícil de ser corrigida pelas limitações de trafegabilidade. É comum a presença de solos apresentando horizonte Cr (saprolito) constituído por rocha parcialmente intemperizada a profundidades inferiores a 1,5m. Geralmente, tais saprolitos apresentam significativo estádio de intemperismo, sendo portanto de consistência branda, não oferecendo limitações ao sistema radicular das plantas.

Devido aos solos serem relativamente pouco evoluídos, os Cambissolos apresentam, em geral, significativos teores de minerais primários facilmente intemperizáveis, os quais podem constituir apreciável reserva de nutrientes para as plantas, particularmente de K+ lábil.

Unidade de Mapeamento

Componente da associação CX23: CAMBISSOLOS HÁPLICOS Distróficos A moderado textura média relevo ondulado.


Gleissolos

Definição

Solos constituídos por material mineral com horizonte glei imediatamente abaixo de horizonte A, ou de horizonte hístico com menos de 40cm de espessura; ou horizonte glei começando dentro de 50cm da superfície do solo. Não apresentam horizonte plíntico ou vértico, acima do horizonte glei ou coincidente com este, nem horizonte B textural com mudança textural abrupta coincidente com horizonte glei, nem qualquer tipo de horizonte B diagnóstico acima do horizonte glei.

Subordens registradas

Gleissolos Melânicos: solos com horizonte H hístico com menos de 40cm de espessura ou horizonte A húmico, proeminente ou chernozêmico;

Gleissolos Háplicos: outros Gleissolos.


Atributos principais

Os Gleissolos apresentam sérias limitações impostas pela presença de lençol freático a pouca profundidade. A aeração inadequada aumenta a resistência da difusão dos gases do solo para a atmosfera e vice-versa, consumindo rapidamente o oxigênio do solo pelos microorganismos e plantas, inibindo o crescimento das raízes. Além disso há importante perda de N mineralizado e o ambiente redutor facilita a formação de compostos bivalentes de Fe e Mn os quais são tóxicos. A utilização de tais solos com plantas mesófilas requer, portanto, que sejam drenados a fim de melhorar as condições de aeração na zona da rizosfera.

Devido à formação em sedimentos aluviais, os Gleissolos apresentam geralmente textura errática ao longo do perfil, às vezes com variações texturais muito grandes entre os horizontes.

A maioria dos Gleissolos são distróficos e bastante ácidos requerendo a aplicação de corretivos e fertilizantes para a obtenção de colheitas satisfatórias. Exceção dos solos com A chernozêmico. Os gleissolos, principalmente os melânicos podem apresentar problemas de trafegabilidade tanto pelo alto lençol freático, como pelos elevados teores de material orgânico, que diminuem sua capacidade de suporte. Por estarem situados em várzeas, os Gleissolos apresentam elevado risco de inundação.

Unidades de Mapeamento

GX1, GX2, GX3, GX4, GX5, GX6, GX8 e GX12: GLEISSOLO HÁPLICOS e MELÂNICOS relevo de várzea


Latossolos

Definição

Solos constituídos por material mineral, apresentando horizonte B latossólico imediatamente abaixo de qualquer tipo de horizonte A, dentro de 200cm da superfície do solo ou dentro de 300cm, se o horizonte A apresenta mais que 150cm de espessura.

Subordens registradas

Latossolos Amarelos – Solos com matiz mais amarelo que 5YR na maior parte dos primeiros 100cm do horizonte B (inclusive BA).

Latossolos Vermelhos – Solos com matiz 2,5YR ou mais vermelho na maior parte dos primeiros 100cm do horizonte B (inclusive BA).

Latossolos Vermelho-Amarelo – Outros solos com matiz 5YR ou mais vermelhos e mais amarelos que 2,5YR na maior parte dos primeiros 100cm do horizonte B (inclusive BA).


Atributos principais

A classe dos Latossolos constitui o agrupamento de solos mais extenso do Estado de São Paulo. São, em geral, solos com boas propriedades físicas e situados, na maioria dos casos, em relevo favorável ao uso intensivo de máquinas agrícolas, exceção dos solos em regiões serranas. Os Latossolos tendem a apresentar elevada porosidade e friabilidade, o que facilidade seu manejo agrícola. O relevo com declividade geralmente inferior a 5% qualifica os Latossolos como os mais adequados para a agricultura extensiva no Estado de São Paulo. Sua principal limitação é a baixa disponibilidade de nutrientes nos solos distróficos e a toxicidade por alumínio trocável. Porém, o relevo favorecendo a mecanização, torna tais deficiências de fácil correção quando aplicada a tecnologia adequada.

São solos com boa drenagem interna, mesmo os argilosos. Os Latossolos Férricos devido ao elevado teor de óxidos de ferro apresentam elevada capacidade de adsorção de fósforo. Tal fato pode ser de importância na planificação de emprego de insumos em áreas porventura ainda não agricultadas. Esses solos, quando ácricos, apresentam virtual ausência de alumínio ao longo do perfil, o que constitui fator positivo, mas natureza oxídica do material desses solos permite que se manifeste, a pouca profundidade, a predominância de cargas positivas sobre as negativas. Consequentemente, a retenção de ânions (sulfatos, fosfatos, nitratos) é maior que a de cátions, fato que demanda práticas específicas de manejo.

Na região de Guaíra, no norte do estado, foram registradas significativas áreas de Latossolos Vermelhos e Latossolos Amarelos, ambos acriférricos. Tais solos podem apresentar horizonte pretoplíntico contínuo (bancada laterítica) à profundidade que varia de 80-200cm. Nesses solos, especialmente nos Latossolos Amarelos, devido a situarem-se em relevo praticamente plano, na época chuvosa, chega a formar-se temporariamente um “lençol d’água” pelo fato de este tipo de horizonte petroplíntico ser praticamente impermeável, exceção das fendas existentes.

Nos Latossolos de textura média, o teor relativamente elevado de areias, confere-lhes uma geometria de poros onde os macroporos são preponderantes. Nesta situação a capacidade de retenção de água é baixa e a permeabilidade do solo alta, favorecendo a déficits hídricos nos períodos de veranicos.

A baixa atividade das argilas dos Latossolos confere-lhes diminuta expansibilidade e contratibilidade, qualificando, os de textura argilosa, como excelente material para piso de estradas. Por serem solos fáceis de serem escavados e ainda bastante profundos e porosos são bastante apropriados para aterros sanitários.


Unidades de Mapeamento

LA8 e LA9: Latossolos Amarelos Acriférricos, Distróficos e Ácricos; LV2, LV6, LV7, LV8, LV12, LV13, LV15, LV16, LV18, LV19, LV20, LV21, LV23, LV24, LV25, LV27, LV29, LV30, LV32, LV33, LV34, LV36, LV37, LV43, LV45, LV48, LV49, LV51, LV54, LV55, LV56, LV62, LV66, LV68, LV71, LV74, LV75, LV77, LV79: Latossolo Vermelhos Eutroférricos, Distroférricos, Acriférricos, Distróficos; LVA3, LVA4, LVA5, LVA9, LVA12, LVA14, LVA15, LVA29, LVA30, LVA31, LVA34, LVA39, LVA51, LVA60: Latossolos Vermelho-Amarelos Distróficos.


Nitossolos

Definição

Solos constituídos por material mineral que apresentam horizonte B nítico, com argila de atividade baixa imediatamente abaixo do horizonte A ou dentro dos primeiros 50cm do horizonte B.

Subordens registradas

Nitossolos Vermelhos – Solos com matiz 2,5YR ou mais vermelho na maior parte dos primeiros 100cm do horizonte B (exclusive BA).


Atributos principais


Os Nitossolos apresentam sempre estrutura em blocos ou prismática bem desenvolvida no horizonte B. As principais limitações desses solos se relacionam à erosão, pois tem sido notado maior susceptibilidade à erosão desses solos quando comparados aos Latossolos Vermelhos de textura argilosa.

São solos com discreto aumento de argila em profundidade, apresentando, apesar de argilosos, boa drenagem interna. Os Nitossolos Férricos apresentam alta capacidade de adsorção de fósforo, o que deve ser considerado no manejo da adubação fosfatada. Em alguns ambientes de ocorrência desses solos a declividade é mais acentuada, o que limita a produção agrícola de culturas anuais. Os Nitossolos latossólicos apresentam propriedades físicas semelhantes aos Latossolos. Quando em relevo plano ou suave ondulado, podem ser manejados também de maneira semelhante.


Unidades de Mapeamento

NV2: NITOSSOLOS EUTROFÉRRICOS A moderado.

Argissolos

Definição


Solos constituídos por material mineral, apresentando horizonte B textural com argila de atividade baixa imediatamente abaixo do horizonte A ou E, e satisfazendo, ainda, os seguintes requisitos:

-Horizonte plíntico, se presente, não está acima e nem é coincidente com a parte superior do horizonte B textural;

-Horizonte glei, se presente, não está acima e nem é coincidente com a parte superior do horizonte B textural.

Subordens registradas

Argissolos Vermelho-Amarelos – Solos com matiz 5YR ou mais vermelho e mais amarelo que 2,5YR na maior parte dos primeiros 100cm do horizonte B (inclusive BA).

Atributos principais

O acréscimo de argila em profundidade e a capacidade de troca de cátions inferior a 27cmol/kg de argila, são os principais atributos diagnósticos para todos os Argissolos.

Na área da ABAG-RP os Argissolos na sua maioria apresentam caráter eutrófico, indicando maior fertilidade do que a amioria desses solos. Os Argissolos quando apresentam elevado gradiente textural são muito susceptíveis à erosão, sendo necessários cuidados especiais, principalmente nos arênicos e espessarênicos.

Nas regiões serranas é comum a presença de afloramentos rochosos associadas a esses solos. Essas características estão geralmente associadas a relevos forte ondulado e montanhoso, o que limita tais solos ao uso agrícola.

Unidades de Mapeamento

PVA1, PVA2, PVA3, PVA4, PVA5, PVA10, PVA77, PVA81, PVA106, PVA108, PVA113: ARGISSOLOS VERMELHO-AMARELOS Eutróficos, Distróficos, podendo ser abrúpticos ou arênicos.

Neossolos

Definição

Solos pouco evoluídos e sem horizonte B diagnóstico.

Subordens registradas

Neossolos Litólicos (Solos Litólicos) – Solos com horizonte A ou O hístico com menos de 40cm de espessura, assente diretamente sobre a rocha ou sobre um horizonte C ou Cr, ou sobre material com 90% (por volume), ou mais de sua massa constituída por fragmentos de rocha com diâmetro maior que 2mm (cascalhos, calhaus e matações) e que apresentam um contato lítico dentro de 50cm de superfície do solo. Admite um horizonte B, em início de formação cuja espessura não satisfaz a qualquer tipo de horizonte B diagnóstico.

Neossolos Flúvicos (Solos Aluviais) – Solos derivados de sedimentos aluviais com horizonte A assente sobre horizonte C, constituídos de camadas estratificadas, sem relação pedogenética entre si, apresentando ambos ou um dos seguintes requisitos:

Decréscimo irregular do conteúdo de carbono orgânico em profundidade, dentro de 200cm da superfície do solo;

Camadas estratificadas em 25% ou mais do volume do solo, dentro de 200cm da superfície do solo.

Neossolos Quartzarênicos (Areias Quartzosas) – Outros solos com seqüência de horizontes A-C, sem contato lítico dentro de 50cm de profundidade, apresentando textura areia ou areia franca nos horizontes até, no mínimo, a profundidade de 150cm a partir da superfície do solo ou até um contato lítico. São essencialmente quartzosos, tendo nas frações areia grossa e areia fina 95% ou mais de quartzo, calcedônia e opala e, praticamente, ausência de minerais primários alteráveis (menos resistentes ao intemperismo).

Atributos principais

Os Neossolos Litólicos são por definição solos que apresentam reduzida profundidade efetiva. Essa condição limita seu uso com agricultura devido ao reduzido volume de terra disponível para o ancoramento das plantas e para a retenção de umidade. A maioria desses solos ocorrem em relevos acidentados, portanto muito susceptíveis à erosão e apresentam sérias limitações de trafegabilidade. Seu uso requer cuidados especiais quanto aos tratos conservacionistas.

Os Neossolos Quartzarênicos são, em geral, essencialmente areno-quartzosos. Isso determina que sejam virtualmente desprovidos de minerais primários intemperizáveis, que apresentem atividade coloidal muito baixa, além de baixa capacidade de retenção de nutrientes e de água. Devido à baixa adesão e coesão apresentam elevada erodibilidade; são contudo em geral solos muito profundos.

Sua pobreza de nutrientes torna imprecindível a aplicação de insumos para que sejam possíveis produções satisfatórias. Seu baixo poder tampão, contudo, demanda que as aplicações de insumos sejam efetuadas parceladamente de forma a minimizar as perdas e evitar saturação do complexo sortivo.

Em conseqüência da textura grosseira, são muito porosos e com elevada permeabilidade. Tal atributo, juntamente com a baixa capacidade adsortiva, caracteriza-os como material pouco adequado para receber efluentes que contenham produtos tóxicos devido à facilidade de contaminação dos aquíferos. Durante o período seco podem apresentar limitações quanto a trafegabilidade.

Os Neossolos Flúvicos situam-se em planícies aluviais e em função do relevo apresentam profundidades efetivas variadas. Em média porém, pode-se dizer que predominam os solos profundos, sendo o fator limitante a presença de lençol freático, o qual, está sempre bem mais profundo que nos Gleissolos, com os quais se associam na paisagem.

São geralmente de fácil preparo e ricos em minerais primários, principalmente micas. Por serem formados por sedimentos aluviais é comum textura errática no perfil. É solo estratificado, com camadas de diferentes naturezas.


Unidades de Mapeamento

RL6, RL11, RL14 e RL17: NEOSSOLOS LITÓLICOS Eutróficos e Distróficos; RQ1, RQ2, RQ4, RQ5, RQ7, RQ8 e RQ10: NEOSSOLOS QUARTZARÊNICOS Órticos; RU1: NEOSSOLO FLÚVICOS Distróficos.


Planossolos

Definição

Solos constituídos por material mineral com horizonte A ou E seguido por B plânico e satisfazendo, ainda, os seguintes requisitos:

Horizonte plíntico, se presente, coincide com um destes dois horizontes;

Horizonte glei, se presente, coincide com o B plânico.

Subordens registradas

Planossolos Háplicos – Solos que não apresentam caráter sódico ou hidromorfismo.

Atributos principais

Os Planossolos estão situados em planícies aluviais e no terço inferior das vertentes. Apesar do relevo pouco declivoso, requerem atenção quanto à erodibilidade, pois o grande gradiente textural entre o horizonte A ou E e o B, torna-os altamente susceptíveis à erosão hídrica.

O horizonte B plânico apresenta densidade do solo relativamete elevada e porosidade total em geral baixa, podendo dificultar o desenvolvimento de raízes de plantas pouco agressivas e a permeabilidade nesse horizonte. Fato que pode limitar a produção agrícola no período chuvoso por falta de aeração do solo.

Quanto a mecanização, se o horizonte B estiver a pequena profundidade pode dificultar o trabalho e formar grandes torrões que necessitam de destorroamento.

Unidades de Mapeamento

SX2: PLANOSSOLOS HÁPLICOS Distróficos.

Organossolos

Definição

Solos constituídos por material orgânico, que apresentam horizonte O ou H hístico com teor de matéria orgânica 0,2kg/kg de solo ( 20% em massa), com espessura mínima de 40cm, quer se estendendo em seção única a partir da superfície, quer tomado, cumulativamente, dentro de 80cm da superfície do solo, ou com no mínimo 30cm de espessura, quando sobrejacente a contato lítico.

Atributos principais

Os Organossolos são caracterizados por apresentarem elevados teores de material orgânico, na área de estudo localizam-se nas várzeas em ambientes muito mal drenados, necessitando de drenagem para seu uso agrícola. Ocorrem como componentes secundários de associações com Gleissolos, Planossolos e Neossolos Quartzarênicos.

Os elevados teores de material orgânico conferem alta capacidade de troca de cátions e poder tampão, porém muitas vezes o predomínio no complexo sortivo são de cátions como H+ e Al3+, e não de bases como Ca2+ e Mg2+, sendo em muitos casos solos relativamente de baixa fertilidade.

A drenagem necessária para o manejo agrícola favorece o processo de subsidência dos Organossolos, que significa perder volume, se contrair. A secagem pura e simples de um Organossolo pode levar a uma contração natural com perda de volume de mais de 50%, a drenagem e conseguente oxidação, favorece a mineralização da matéria orgânica. Estes solos quando secos podem se inflamar, o que também aumenta o processo de subsidência. O tipo de material orgânico, a profundidade dos drenos e o manejo agrícola podem influenciar no potencial de subsidência de um Organossolo. Além dos fatores citados os Organossolos oferecem pequena resistência mecânica e podem ser facilmente compactados por máquinas agrícolas ou pisoteio animal. Porém, segundo alguns autores, essa compactação pode ser até benéfica no sentido de diminuir a mineralização da matéria orgânica. Parece que 30cm de profundidade do lençol freático é a melhor situação para minimizar a subsidência dos Organossolos e sua destruição.

Áreas com Organossolos têm sido exploradas para venda de turfa, que pode ter muita utilidade nos setores agrícola, energético e químico.

Organossolos podem apresentar diferentes tipos de material orgânico, fíbrico, hêmico ou sáprico. Onde o fíbrico é o material menos transformado, rico em restos vegetais e o sáprico o mais transformado e humificado. O material fíbrico tende a ser menos pegajoso e reter maior umidade quando comparado ao material sáprico. A cor desses solos tende a ser predominantemente escura, porém existem solos ou horizonte orgânicos de coloração mais clara, cinzenta ou brunada clara.

Unidades de Mapeamento

Os Organossolos ocorrem como componentes secundários em algumas unidades de mapeamento.

 

Referências

Oliveira, J.B.; Cmargo, M.N.; Rossi, M.; Calderano Filho, B. Mapa Pedológico do Estado de São Paulo: Legenda Expandida. Campinas, Embrapa-Solos/IAC, 1999, 64p. e mapa.

Oliveira, J.B. Solos do Estado de São Paulo: descrição das classes registradas no mapa pedológico. Campinas, IAC, 1999, 112p. (Boletim Científico, 45)

 

 

 

 

 

 

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